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segunda-feira, 8 de abril de 2024

50 anos do Reservatório Moxotó: águas do Velho Chico


Lembrar é também uma honra à memória
Publicada em 07/04/24 às 23:34h - 12 visualizações
Regina Borges - Jatobá-PE, verão, 2024
Fotos Div. Manoel Rozendo, feitas na Páscoa 2024, mostram a extensão do Reservatório de Moxotó. Debaixo dessas águas, a cidade centenária de Glória/BA.  (Foto: Foto da capa: Divulgação Manoel Rozendo; Fotos internas: Mary Marques e Divulgação Manoel Rozendo)

E neste ano, ao completar 50 anos da grande inundação em decorrência do enchimento do reservatório Moxotó, faz-se necessário que esse fato seja relembrado, porque conhecer a história é preservar os laços costurados pela memória.

Desse modo, lembrar para nunca esquecer das memórias submersas do povo de Glória, na Bahia, que viu sua cidade e grande parte de sua área rural serem engolidas com toda a sua história, seus patrimônios culturais, seus aluviões, sua biodiversidade. Lembrar para nunca esquecer do povo da margem alagoana; Lembrar para nunca esquecer do povo ribeirinho da margem pernambucana, e de forma especial trago aqui palavras da poeta Júlia Generoza (in memoriam), filha ribeirinha do povoado Umburanas, atualmente território de Jatobá-PE, que com indignação e coragem se utilizou da prosa popular para denunciar o que acontecia em seu território, deixando registrado a saga dos ribeirinhos afetados pelo reservatório Moxotó no seu livro intitulado Romance da Tristeza: 


“Prezados caros ouvintes
Vou escrever com coragem
A saída do povo daqui
Por essa tal barragem
O povo se retirando
Muitas mulheres dando ais”

(...)

“Eles de longe se alembrava
De suas queridas ilhas
De vê debaixo d’água
Para não ver mais um dia
Só quem tem dó do povo
É a Virgem Santa Maria”

(...)

“Oh, meu São Sebastião
Tenha de nós compaixão
Não deixe nós sofrer
Lá naquela solidão
Que lhe mando dizer missa
De todo meu coração”

(...)

Na poesia de Júlia Generoza sentimos a dor de um povo desamparado pela lei, que só tiveram a Deus para recorrer. Viveram um tempo de incerteza, sofrimento, com compensações injustas, outras inexistentes, sem falar de tantas outras promessas não cumpridas.

Assim, submersas nas águas do passado ficaram as correntezas do “Rio Velho” como costumam chamar os mais antigos ribeirinhos, testemunhas oculares do tempo, também as procissões fluviais, diversos rituais religiosos e culturais, inclusive que uniam ribeirinhos de Glória e os das bandas de cá de Pernambuco... Relembrar esse fato é também evitar o apagamento da memória, como me disse Pe Félix num outro dia “Povo que perde a sua memória deixa de ser povo”.

Para tanto, nesse ano de recordação, se olhamos para a energia, filha do Velho Chico, e reconhecemos a sua importância ao desenvolvimento do nordeste e do país, também é igualmente necessário que relembremos das milhares de vidas ribeirinhas sacrificadas em nome desse progresso, o qual, lamentavelmente, até a presente data ainda não chegou para muitos desses ribeirinhos e seus descendentes.

Por fim, reafirmar que foi ali no chão das novas terras, onde refincariam as suas raízes, que os ribeirinhos atingidos pelo Moxotó plantaram as primeiras sementes de luta, as quais eclodiriam décadas mais tarde, durante a construção da barragem de Itaparica (1979-1988) com o grito de justiça “Terra por terra, casa por casa”.

*Lembrar, lembrar, lembrar para nunca esquecer.

por FOLHA SERTANEJA
BLOG OXENTE NEWS, 08/04/24



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