Iniciado em março, o inquérito policial é a segunda investigação sobre o contrato entre a ONG e a prefeitura
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| Foto Reprodução |
A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar supostas irregularidades na execução de um contrato de R$ 108 milhões entre a prefeitura de São Paulo e a ONG Instituto Conhecer Brasil para a instalação de 5 mil pontos de internet em vias públicas da cidade.
A ONG é comandada pela jornalista Karina Ferreira da Gama, também proprietária da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme “Dark horse”, que conta a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro e teve patrocínio de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Moradora da Brasilândia, na Zona Norte de São Paulo, Karina é ligada ao deputado federal Mario Frias (PL-SP), que assina o roteiro do filme. Ela possui em seu nome cinco empresas — além da ONG e da produtora, tem a Conhecer Brasil Assessoria, a Upcon Serviços Especializados Ltda. (com filial em Goiás) e a Academia Nacional de Cultura.
O contrato com a prefeitura de Ricardo Nunes (MDB) começou a ser executado em 2024 e deveria atingir os 5 mil pontos de wi-fi em 2025, mas no momento tem 3,2 mil instalações na capital paulista.
Iniciado em março, o inquérito policial é a segunda investigação sobre o contrato entre a ONG e a prefeitura. A primeira, de fevereiro, surgiu de denúncia do vereador Nabil Bonduki (PT), que contesta a falta de concorrência na licitação e a falta de experiência da ONG na gestão de redes de wi-fi.
— As irregularidades são evidentes, desde a forma de contrato até a prestação de contas — afirma Bonduki.
‘Suspeita de ilegalidades’
A investigação mais recente também teve início no Ministério Público de São Paulo, que remeteu o caso à Polícia Civil a fim de instaurar um inquérito, que poderá originar uma ação criminal.
“As apurações revelaram várias suspeitas de ilegalidades, como a falta de expertise da ONG na implementação de rede wi-fi, o recebimento de 26 milhões de reais sem que o serviço tivesse sido efetivamente prestado, a falta de concorrência na licitação e, ainda, a possibilidade do mesmo serviço ser prestado pela empresa pública municipal (Prodam) por valor significativamente inferior. Havendo indícios da prática de crimes licitatórios, determino a remessa dos autos à Delegacia de Polícia para a apuração dos fatos”, diz o pedido da promotora Fabíola Cezarini, da 6° Promotoria de Justiça Criminal.
Destino do dinheiro
Em outra frente, a Polícia Federal (PF) investiga se o dinheiro solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia também foi usado para custear a permanência do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Desde que os áudios e mensagens de Flávio e Vorcaro vieram a público, diferentes versões sobre o destino dos recursos foram divulgadas por bolsonaristas.
Flávio admitiu os aportes feitos por Vorcaro ao filme — e as reclamações sobre “parcelas” não quitadas —, mas pessoas envolvidas na produção do projeto, como Mario Frias e a produtora Go Up, além de Eduardo, alegaram que não houve financiamento pelo dono do Master ou de empresas ligadas a ele. Depois, o deputado disse que foi mal interpretado quando falou que “não há um centavo do Master”: “nosso relacionamento foi com a Entre, pessoa jurídica distinta”.
A Entre Investimentos foi, segundo o Intercept Brasil, a empresa ligada a Vorcaro usada para o repasse de R$ 61 milhões para o Havengate Development Fund LP, empresa com sede no Texas, nos Estados Unidos, e gerida pelo advogado de imigração de Eduardo, Paulo Calixto.
via Folha de Pernambuco
Blog Oxente News, 19/05/26

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