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| Foto: TV Globo/Divulgação |
Episódio relatado pelo ator durante cerimônia do Prêmio APCA provocou reações de artistas negras
O discurso de Lima Duarte durante a cerimônia de premiação da Associação Paulista de Críticos da Arte (APCA), na última segunda-feira (4/6), foi alvo de críticas entre os artistas presentes e também nas redes sociais.
O ator de 96 anos foi homenageado por sua trajetória na TV brasileira. Ao receber o troféu, ele relembrou sua chegada a São Paulo e narrou uma situação, quando tinha 15 anos e se negou a ir a uma zona de prostituição por só ter mulheres negras.
RELATO:
Vindo da cidade de Sacramento (MG) e trabalhando no Mercado Municipal, Lima foi convidado por outro adolescente para ir ao local. De acordo com ele, o mesmo colega explicou que havia duas ruas onde as prostitutas trabalhavam: Aimorés e Itaboca.
Ainda de acordo com o ator, ele teria optado inicialmente por ir à rua Itaboca, onde o valor do “programa” era mais barato. Ao ser informado pelo amigo que as prostitutas do lugar eram todas negras, ele teria mudado de ideia.
“Moleque de rua, dormi embaixo do caminhão, não fui porque só tinha preta. Que vida, hein? Que coisa eu fui percebendo ao longo dessa vida. Então, fomos na Aimorés”, comentou.
A fala gerou desconforto imediato entre os presentes. Ainda durante a cerimônia, artistas reagiram ao episódio. Premiada pela iniciativa "Minas de Ouro", Carmen Luz afirmou em seu discurso que mulheres negras “não estão no mundo para serem recusadas” e finalizou, sendo aplaudida: “Mulheres pretas, levantai-vos”.
Shirley Cruz, que recebeu o troféu de Melhor Atriz de Cinema por “A Melhor Mãe do Mundo”, citou Carmen em seu agradecimento. “Sou uma mulher de pensamento próspero, de atitudes prósperas. Sou a prosperidade das minhas ancestrais. Prosperidade é um direito nosso. Vejam só, de rejeitados a premiados. Carmen Luz, te amo”, disse.
Após a repercussão, a equipe de Lima Duarte se manifestou por meio de nota enviada ao jornal Folha de São Paulo. O comunicado diz que o ator compartilhou uma memória da sua infância, de "um Brasil muito duro, de um menino sem formação, vivendo na rua".
“Aquela fala nasceu como retrato de um tempo e também como forma de protesto, do olhar de quem respeita e entende uma luta que é de todos”, justificou.
da Folha de Pernambuco
Blog Oxente News, 06/06/26

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