SACRIFÍCIO
Soberana reinou por muito tempo
Acima dos muros e telhados
Raizes fincou sem embaraço
Abaixo de si e para os lados
Cresceu, floresceu demasiado
Incômoda, fez estardalhaço
Frutos ao vento atirados,
Telhas em cacos
À morte, por isso, sentenciada
A manhã lhe trouxe o sacrificio.
Mais de 10 metros de altura
Mais de 20 anos de idade
Frondosa, a copa perdeu
Galho por galho
Braços suplicantes, arrancados.
Em luto, o sol cobriu-se, cinza
Chuva caiu, em lágrimas, fina
Inclemente o carrasco golpeava
Misericordioso o vento soprava
As profundas feridas com rajadas
Somente o vento escutava os gritos
No silêncio, entre golpes de facão
Despido e mutilado, nas calçadas
O corpo jogado em pedaços
Ainda em ramos presas frutas
Verdes, que não verão a temporada
Manga espada não terá dezembro
Nesse quintal onde o suplício
Pôs fim às saborosas mangas
Mais doces de Petrolândia
Doces como antigamente.
O sagui de longe não vem mais
Sobre os muros, em trilhas,
Brincar nos galhos longos.
Adeus abelhas, adeus passarinhos.
Casa mais quente, o céu vazio
No quintal sem a mangueira do vizinho
Nascida não sei quando há muitos anos
Perdida sombra, morta, feita lenha
No nono dia do oitavo mês
Do ano de dois mil e vinte e três
poetisa Lúcia Xavier
(09/08/2023)
BLOG OXENTE NEWS, 10/01/25


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