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terça-feira, 7 de março de 2023

Bolsonaro demitiu chefe da Receita Federal um mês após apreensão de joias

José Tostes foi demitido 41 dias depois de joias serem retidas pela alfândega
Imagem: Reprodução

O governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) demitiu o então secretário da Receita Federal José Tostes pouco mais de um mês após as joias de R$ 16,5 milhões, presenteadas pela Arábia Saudita a Michelle Bolsonaro, ficarem retidas no aeroporto de Guarulhos

O QUE ACONTECEU?

As joias foram apreendidas em 26 de outubro, Tostes saiu da Receita oficialmente no dia 8 de dezembro --41 dias de diferença; 

Ele foi substituído por Julio Cesar Vieira Gomes, que ganhou um cargo em Paris um dia depois de enviar ofício tentando recuperar as joias

Há registros de que, antes da demissão, o governo já havia tentado reaver as joias ao menos duas vezes, enviando pedidos, não atendidos, via Ministério de Minas e Energia. A informação foi revelada pelo Estadão e confirmada pelo UOL.

Outros fatores também pesaram para a demissão de Tostes. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, Bolsonaro estava pressionando pela indicação de um nome de sua preferência para a corregedoria-geral da Receita, que investigava o senador e filho do presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no caso das "rachadinhas"

Além disso, os servidores estavam insatisfeitos com a gestão. Em novembro de 2021, os auditores aprovaram uma entrega nacional de cargos em protesto contra o secretário, que não convocava novos concursos públicos e não implantou plano de trabalho remoto durante a pandemia.

Entenda o caso das joias

  • Bolsonaro tentou receber de forma ilegal um conjunto de joias avaliado em 3 milhões de euros (R$ 16,5 milhões). As peças seriam um presente do governo da Arábia Saudita. 
  • Os itens foram encontrados na mochila de um assessor do governo e foram retidos pela alfândega no aeroporto internacional de Guarulhos (SP), porque a lei obriga a declaração de bens com valor superior a mil dólares vindos do exterior 
  • O governo poderia ter recebido as joias como um presente oficial. Nesse caso, porém, os bens ficariam para o Estado, e não para a família Bolsonaro.

Do UOL, em São Paulo 
Blog SNP, 07/03/2023

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